16mar

Como educar para a igualdade desde a infância

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A primeira infância é o período da vida onde a criança está em constante desenvolvimento. No aspecto físico, aumenta de tamanho todos os dias e aprimora suas capacidades motoras de forma impressionante – passa de um bebê de colo para uma criança que anda e se alimenta sozinha. O avanço também é vasto no aspecto cognitivo, onde a criança aprende a assimilar as pessoas e o ambiente que a cerca, a reconhecer padrões de fala e a desenvolver o raciocínio lógico, bem como a identificar as dimensões do sim e do não. No aspecto psicológico, é na primeira infância que se formam as bases da identidade e da personalidade da criança como indivíduo, assim como sua noção de convivência dentro do coletivo chamado sociedade.

Pais e mães devem aproveitar este momento de intensa construção pessoal – a infância é a hora certa para transmitir valores como respeito, empatia e igualdade para os pequenos. Toda criança tem um gigante poder de assimilação, e confia aos pais o rumo das diretrizes que vão lhe construir como pessoa. O segredo está no exemplo: os valores que a criança assimila como importantes são aqueles que ela vê em prática dentro de seus espaços de vivência.

Para plantar a semente de um futuro mais igualitário e respeitoso, conheça algumas atitudes que os pais e educadores devem assumir na educação das crianças:

Fim da segregação entre meninos e meninas

O universo infantil é inteiramente estruturado em dois “times” opostos: o das meninas e o dos meninos. Há toda uma categoria de brinquedos, jogos, comportamentos, espaços, temas, atividades e papéis destinados às meninas, e outra totalmente contrária destinada aos meninos. Um mundo rosa criado pras meninas, um mundo azul desenhado pros meninos – diante de uma segregação tão grande dos gêneros logo na infância, fica a reflexão: não seriam todos apenas crianças?

Desde pequenas, as crianças – tanto meninos quanto meninas – absorvem as expectativas criadas pelos adultos em relação a cada gênero. Isso não apenas reduz as ambições e visões de futuro da criança a uma pequena gama de opções, como também priva diversos aspectos da infância que deveriam ser aproveitados por todas as crianças, sejam meninos ou meninas. As crianças aprendem com a brincadeira, com a diversão, com o ludismo, com tudo aquilo que desperta curiosidade na mente infantil – e esse aprendizado lúdico se dá tanto com a menina brincando de carrinho, quanto com o menino brincando de boneca. Se desperta o interesse e a imaginação da criança, por que privá-la? A infância é um período muito importante no desenvolvimento cognitivo e social da criança, e os pais e educadores devem se esforçar para que as crianças possam vivê-la de maneira plena.

Além disso, essa constante divisão de “times” entre meninos e meninas faz com que as crianças tenham a percepção de que são opostos, desestimulando o tratamento de igual para igual. A infância deve ser repleta de brincadeiras e vivências que estimulem a interação e a troca de experiências positivas entre meninos e meninas – para que, desde cedo, as crianças entendam que somos todos semelhantes, e que o respeito e a ajuda ao próximo independe das questões de gênero.

Instrução de noções igualitárias

Por decorrência da “polaridade” entre o universo feminino e masculino, os meninos e meninas recebem instruções diferentes desde a mais tenra idade. Uma boa forma de promover relações equitativas na vida adulta é ensinando, desde a infância, que as responsabilidades não são divididas por gêneros. Responsabilidades relativas ao cuidado, à organização e à limpeza são funções de todas as pessoas envolvidas, sejam elas meninos ou meninas. A melhor maneira de fazer uma criança assimilar este ensinamento é dando exemplo: sendo uma família ou um ambiente escolar que se compromete com a divisão justa de funções.

Mas as noções igualitárias a serem transmitidas aos pequenos não se limitam aos deveres – também incluem os direitos e ambições de todos nós. Pais, mães e educadores devem se esforçar para captar os interesses da criança e estimulá-la a investir nestas áreas desde cedo – independente de corresponderem ou não às expectativas de cada gênero. As chances de uma vida adulta realizada e feliz são muito maiores quando a criança recebe apoio naquilo que gosta. Além disso, meninas e meninos devem ser instruídos desde pequenos a desenvolverem habilidades de tomada de decisão, liderança de iniciativas, expressão de opiniões e resolução de problemas – capacidades que, muitas vezes, são reservadas ao gênero masculino.

Conversa sobre empatia

O diálogo também é uma ótima ferramenta com as crianças e deve ser incentivado desde os anos iniciais, mesmo antes da criança ter desenvoltura para dar respostas efetivas. Ele estreita laços entre os pais e o bebê, além de desenvolver a capacidade linguística dos pequenos por meio da assimilação de sons e movimentos faciais.

Depois que a criança já atingiu idade suficiente para dialogar com compreensão integral, um ótimo hábito a se adotar em casa ou na escola é a conversa sobre empatia, sobre a capacidade de compreender e respeitar a realidade do outro mesmo sem estar na mesma situação. Desde a primeira infância, é necessário que a criança entenda a importância de ser empática com pessoas de outras etnias, diferentes realidades financeiras, portadoras de necessidades especiais – para que não as olhe com olhos de estranhamento, mas sim com olhar solidário e sempre pronto a ajudar. A discussão destes temas pode ser feita por meio de contação de histórias e brincadeiras que promovam a interação entre todas as crianças como iguais.

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09mar

Qual é o tempo ideal de sono para a criança?

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O sono é parte fundamental do desenvolvimento da criança – por isso, a hora de dormir deve ser levada a sério. Cerca de 90% dos hormônios do crescimento são liberados durante o sono e, além disso, o período de dormir está intimamente relacionado com o processo de consolidação da memória, de fortalecimento do sistema imunológico e influencia diretamente no desenvolvimento físico da criança. Por estas razões, o sono é um fator de grande importância para garantia de uma infância saudável, disposta e feliz.

Por estar vinculada ao desenvolvimento da criança, a rotina de sono varia de acordo com cada nova faixa etária atingida – em cada etapa do desenvolvimento, o organismo adquire novas necessidades e abre mão de outras, e é essencial que o sono dos pequenos acompanhe as demandas de cada fase de seu desenvolvimento físico e mental.

Pensando nisso, pediatras elaboraram a “tabela do sono infantil”. É claro que o tempo de sono reparador varia de indivíduo para indivíduo, de acordo com as particularidades de cada organismo – entretanto, é possível estabelecer uma quantidade mínima e máxima de horas de sono diárias para a criança. Saindo deste intervalo de tempo, é possível que o desenvolvimento da criança seja afetado pela má rotina de sono.

0 – 3 MESES DE IDADE

Os recém-nascidos estão completamente desabituados à vida fora do útero e grande parte da adaptação – bem como do desenvolvimento mental e principalmente físico – se dá durante o sono. Por isso, é natural e importante que o sono seja abundante nos primeiros meses de vida: o recomendado é de 14 a 17 horas diárias. Nesta etapa inicial da vida, é desejável que se estabeleçam ciclos de sono com 1 a 4 horas de duração, intercalados com intervalos de até 2 horas (independentemente de ser noite ou dia).

4 – 11 MESES DE IDADE

Bebês passam por um intenso processo de desenvolvimento até atingir o primeiro ano de vida – em média, triplicam de peso e quase dobram de altura. E o desenvolvimento não é apenas físico: suas percepções, reações e competências se expandem de forma fascinante! Dos 4 aos 11 meses, o bebê explora todos os seus sentidos, sua capacidade associativa, sua noção de interação social e de reconhecimento do meio externo. Nesta fase de tantas descobertas, o ideal é que o bebê durma de 12 a 15 horas diárias, divididas de 2 a 4 sonecas durante o dia e com o sono mais prolongado durante a noite.

1 – 2 ANOS DE IDADE

Do primeiro ao segundo ano de idade, a criança já passa a ter uma noção mais verossímil da realidade que a cerca. Ganha muita autonomia ao aprender a andar e é cheia de curiosidade para desbravar o mundo sozinha. Também já tem consciência das relações interpessoais e afetivas, e aos poucos vai aprendendo a interagir com crianças da mesma idade. Nesta fase da infância, o recomendado é que a criança durma de 10 a 14 horas diárias – divididas entre 1 ou 2 sonecas durante o dia, seguidas de sono contínuo durante a noite.

3 – 5 ANOS DE IDADE

Na idade pré-escolar, as crianças precisam estar bem descansadas para absorver o aprendizado das aulas, ao mesmo tempo em que precisam adequar seus hábitos de sono a novos padrões de rotina. Nesta etapa, o desenvolvimento cognitivo e social é intenso, com a assimilação de novos conhecimentos e de uma nova dinâmica no período da introdução escolar. Para esta faixa etária, o ideal é que a criança durma de 10 a 13 horas diárias – com, no máximo, 1 soneca durante a tarde.

6 – 13 ANOS DE IDADE

Já em idade escolar, a criança precisa se adequar a uma nova rotina, com mais cobranças, horários e obrigações. Também precisa preparar a mente para assimilar conteúdos cada vez mais complexos e para administrar as relações interpessoais, que também se intensificam – uma rotina de sono saudável é essencial para este período transitório. O ideal é que crianças dessa faixa etária durmam de 9 a 11 horas diárias, somente durante o período noturno.

Esta tabela de sono foi elaborada por profissionais da saúde infantil e estabelece parâmetros saudáveis para o sono da criança, que devem ser adequados à realidade e rotina de cada família. O objetivo principal é alertar os pais e mães a respeito da importância da rotina de sono para o desenvolvimento da criança – crianças que dormem pouco são mais propensas à hiperatividade, déficit de atenção, alteração de humor e falta de apetite, além de apresentarem comportamento mais agitado, ansioso, impaciente e até agressivo.

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