21mar

Qual é o limite da competitividade saudável na infância

21-03-2017

As crianças aprendem com mais facilidade quando o ensino é lúdico. O universo lúdico é cheio de jogos e brincadeiras – naturalmente, nasce o sentimento de competitividade. Não há nada de ruim em incentivar o espírito competitivo nas crianças: de fato, a competitividade está presente em todas as esferas da vida e saber administrá-la faz parte do desenvolvimento pessoal da criança, para reconhecer suas habilidades e aprender a lidar com as frustrações. Mas é preciso ficar atento: há um limite sutil que separa a disputa saudável e a obsessão.

Crianças que ultrapassam esse limite saudável fazem de suas vidas uma constante competição: não aceitam estar em posição de perder, de tirar uma nota mais baixa, de não receber um elogio que outra criança recebeu, de não ser sempre o destaque em qualquer atividade realizada. Essa autocobrança constante envolve a criança numa espiral de competitividade, estresse e ansiedade – sentimentos excessivamente tóxicos para serem frequentes na infância, período onde os pequenos deveriam apenas brincar, aprender de forma leve e se divertir.

Quando torna-se competitiva demais, a criança passa a demonstrar sinais comportamentais que expressam insatisfação generalizada – mas especialmente voltada para si mesma, abrindo margem para frustração e sentimento de não ser boa o suficiente. Para garantir uma infância feliz e tranquila para seu filho, fique de olho nestes sinais que podem indicar excesso de competitividade:

COMPORTAMENTO AGRESSIVO

Esta talvez seja a mudança de comportamento mais comum para indicar excesso de competitividade na infância. Uma criança que sempre apresentou comportamento calmo entra na escolinha e, de repente, passa a gritar, bater nos amiguinhos e a ter explosões de raiva. Isso pode ser indicativo de que a criança está se sentindo em constante comparação com as demais crianças da classe, e não consegue lidar bem com as situações onde os outros possuem melhor desempenho. A cabeça da criança competitiva está sempre a mil, pois está constantemente preocupada em não perder tempo, espaço, atenção e nem a vez – o que cria um cenário realmente estressante na mente infantil, que ainda não tem total destreza na arte de administrar os sentimentos. Sendo assim, a frustração acumulada facilmente se expressa em episódios agressivos, onde a violência pode ser contra os outros – colegas de classe, professores, pais, mães e irmãos – ou mesmo contra a própria criança, que se bate, se arranha ou puxa os próprios cabelos, na tentativa de se autossabotar por sentir que é incapaz.

AUMENTO DA CARÊNCIA

A competitividade excessiva faz a criança se sentir ameaçada pelas outras, desenvolvendo o sentimento de ser menos inteligente, menos admirável e menos especial como um todo. Essa falta de confiança em si mesma desperta uma necessidade fora do comum de chamar atenção, como forma de conquistar aprovação dos que estão ao seu redor. O aumento considerável da carência é indicativo de que a autoestima da criança não vai bem – e a competitividade pode ser o fator que desperta essa insegurança nos pequenos.

NEGAÇÃO DA DERROTA

Crianças que lidam de maneira regular com a competitividade costumam adorar jogos coletivos pela diversão e interação com os amigos – até os 8 anos de idade, a média das crianças ainda está assimilando conceitos de vitória e derrota, mantendo o foco no desempenho da atividade em si. Crianças com comportamento excessivo não suportam a ideia de perder uma competição: choram, gritam, brigam e, muitas vezes, entram em estado de negação. É muito comum que crianças competitivas demais se abstenham da derrota, dizendo que “não estavam realmente envolvidas com a atividade” ou que os demais participantes trapacearam. Este é um ótimo indicativo de que a competição está atingindo níveis prejudiciais para a socialização da criança.

ISOLAMENTO

Outro sinal evidente do exagero na competitividade se mostra na queda da autoestima da criança. Por transformar tudo numa grande disputa, a criança frequentemente é posta diante de suas limitações e, sem saber como aceitá-las, acaba alimentando o sentimento de que não é boa o suficiente. Aos poucos, a criança internaliza a noção de que está sempre atrás dos colegas e passa a se sentir incapaz de fazer parte da mesma dinâmica – aí nasce o isolamento. A criança se recusa a participar das atividades coletivas e está sempre sozinha, na busca de fugir das competições que sua própria mente cria. Ao invés de confrontar possíveis derrotas, a criança opta por abrir mão de toda convivência social que possa lhe despertar sentimento de fracasso – o que é extremamente prejudicial para a infância, que tanto se constrói nas relações socioafetivas.

É papel dos pais e educadores ficarem atentos à presença destes sinais, para que tal comportamento seja identificado e trabalhado antes de causar danos maiores à saúde psicológica da criança.

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